Domingo, Maio 25, 2008

Eu hoje vou deitar-me assim...


Morrissey - There is a Light That Never Goes Out

Take me out tonight
Oh, take me anywhere, I dont care
I dont care, I dont care
Driving in your car
I never never want to go home
Because I havent got one...
Oh, I havent got one

Sábado, Maio 24, 2008

Sons de Verão (IV)

Iupiii! Afinal, era só tímido!!!
© Imagem: ?

Sons de Verão (III)

Quinta-feira, Maio 22, 2008

Sons de Verão (II)

Quatrocentos paus sem recibo nem garantia, por uma barata que NÃO faz barulho com as asas porque deve ser fêmea!!!
Estou lixada!

Sons de Verão

© Foto: Sofia Bragança Buchholz

Quatrocentos paus por uma barata que faz barulho com as asas!!!
Que se lixe! Sinto-me uma mulher feliz!

Terça-feira, Maio 20, 2008

A Mulher Cobra

© Foto: ?/ Na foto: Rachel Weisz

Adoro uma romaria. Não sei se por ter nascido no dia de S. João e, na véspera, já eu quase cá fora, ter pressentido a turba popular feliz de martelinho em punho agredindo-se entusiasticamente, se por durante muito tempo ter vivido em frente a um largo, onde, todos os anos, no início do mês de Junho, a adrenalina do barulho das motas do Poço da Morte e o timbre melado da voz do Roberto Carlos davam som aos meus dias.
Aos quatro anos, pelava-me por uma voltinha no carrossel mais inocente; aos seis, por uma mais atrevida no Comboio Fantasma; aos oito (já a viver noutro lugar, mas ainda assim assídua nesta festa), pelo perigo dos carrinhos de choque; aos dez, fascinava-me a aberração de uma Mulher Cobra. Esta é, aliás, umas das imagens que melhor guardo na memória e um dos mitos que mais intensamente me perseguem desde a infância. É que ainda a estou a ver em cima daquela mesa, propositadamente de espessura finíssima para nos dissuadir de pensar o seu corpo escondido nela, de cabeça estática, mas bem-falante, coroando um fantástico corpo luzidio, enrolado, de Python reticulatus. Um homem – que a minha imaginação recorda de bigode farfalhudo e sotaque acentuado do norte – fazia-lhe perguntas a que ela calmamente respondia, deixava o público escolhido a dedo (provavelmente, contratado pelo próprio espectáculo) fazê-las também, e eu ali, de olhos esbugalhados, separada daquela coisa apenas por uma baixa grade de ferro, incapaz de abrir a boca de tão aberta de espanto que estava, sabendo-me enganada, mas não percebendo como o faziam.
Já na idade adulta procurei em vão insistentemente pelas feiras populares por onde passei tal atracção e ainda agora lamento na adolescência (onde a maturidade já me permitia perspicácia suficiente para perceber o fenómeno, mas a idade me conferia interesse por tudo menos por tal temática) ter deixado escapar – imaginem, que raiva! – uma mulher polvo.
Até hoje me interrogo como faziam eles aquilo, e amaldiçoo a ASAE, ou lá que entidade é que proíbe estas coisas, por as ter feito desaparecer, e não me dar oportunidade de finalmente desvendar tamanho engodo.

[Também publicado aqui]

Sábado, Maio 17, 2008

Gostar de Homens

Bryan Ferry fotografado por Nathaniel Goldberg para a revista GQ


E lá se foi o mito de que as fadas existem... merde!

Porque é que eu não entendo os homens e as mulheres são umas chatas?!

“Amizades Coloridas”

Quando se fala de “amizades coloridas”, acreditem, não é ao mesmo a que nos referimos, para homens e mulheres. Ainda que, à primeira vista, para ambos a sua definição seja igual – um relacionamento sexual, sem exclusividade e compromisso emocional, prolongado no tempo, com vista à satisfação de ambas as partes – na prática, este contrato de regras, aparentemente, tão bem definidas será assinado apenas por uma delas: a masculina. Para eles, é claro que este se trata de um relacionamento puramente sexual; para elas, mesmo que com ele tenham acordado a priori – e até acreditado ser possível – a coisa não é bem assim.
Se podemos conceber a ideia de que uma mulher, seja lá por que razões forem, tenha relações sexuais esporádicas com este ou aquele homem que com ela se cruze na vida, asseguro-vos, será muito rara aquela que invista tempo, atenção, afecto – e este, por incrível que pareça, está presente, para uma mulher, num envolvimento sexual quando este é prolongado no tempo – num relacionamento sem que fique, emocionalmente, ligada a ele. Para o sexo feminino, o que mais pesa é o investimento afectivo feito na relação e este é directamente proporcional ao tempo dispendido na mesma. Pelo contrário, para os homens, o que tem mais valor é o prazer dela retirado e o factor novidade. Por outras palavras, podemos dizer que eles se prendem a elas enquanto não as conquistam; e elas prendem-se a eles depois de terem sido conquistadas.
Senão como explicar, num relacionamento sem compromisso, que se passem quando descobrem que não são as únicas? Ou que justifiquem a ausência do “amigo colorido”? Este comportamento seria, então, perfeitamente desnecessário e elas fazem-no sistematicamente. Fazem-no, também, com o invariável argumento de eles serem muitíssimo ocupados, pais extremosos em missão baby-sitting, ou até mesmo detentores de uma particular personalidade, atípica e muito reservada, dada ao “anti-social”. E nem elas imaginam, a contar pelas vezes que o ouvimos, a quantidade de homens com este particular carácter que por, aí, há!
Mas quando se vão abaixo, quando apertadas na tristeza de tão desigual investimento de afectos, elas confessam. Confessam que o seu sonho era casar, ter um casalinho de filhos com eles, enfim, um ninhinho perfeito, e que mantêm viva a esperança – e vejam só, se eles as ouviam agora! – que eles, um dia, lhes digam que é isso que querem também. Senão, porque viajam eles com elas? Porque passeiam e jantam fora tantas vezes? Porque respondem a sms e a chamadas tardias? Porque CONTINUAM eles com elas? E é aqui, meus queridos leitores, que reside mais uma grande falha na comunicação entre homens e mulheres: é que elas interpretam todos os actos deles como sinais de ligação; e eles transmitem o sinal por pura cortesia [e, como acredito pouco no altruísmo masculino, para assegurarem – obviamente – a próxima queca].

Sofia Bragança Buchholz

Crónica publicada na Revista Atlântico de Março de 2008

Sexta-feira, Maio 16, 2008

Ontem, hoje e amanhã...


Imaginarius em Santa Maria da Feira.

Informações e programa disponíveis aqui

Quinta-feira, Maio 15, 2008

Eu hoje acordei assim…


Felicíssima por saber que elas estão aí, num cinema perto de mim, a partir do dia 5 de Junho.

Terça-feira, Maio 13, 2008

Os vermes da blogosfera

Pior do que aqueles que se escondem por detrás do anonimato, ou de um nick imbecil, e que, se divertem a mandar umas bocas, escondidos nas suas covardes carapaças, incapazes, contudo, quando desafiados, de se exporem e articularem, duas frases que seja, com sentido, são aqueles que plagiam. É que os primeiros, caros leitores, são apenas uns tristes; já os segundos, uns criminosos.
A Sofia Vieira foi novamente plagiada e como ela diz, e muito bem, já está na altura da protecção dos direitos de autor na Internet em geral, e na blogosfera em particular, ser levada a sério pela comunidade jurídica e pelas instâncias jurisdicionais e de estes vermes sociais começarem a ser condenados pelos seus actos. [Um tema para ler no Controversa Maresia].

Segunda-feira, Maio 12, 2008

Percebes, agora, porque é que eu não me importo de ter asas?

Na foto: Hana Soukupova (VS show) / © Foto: ?

Domingo, Maio 11, 2008

Fugir ao trabalho

O que mais me aborrece, quando tenho de trabalhar em casa, é que despendo mais energias na tarefa de fugir ao mesmo, do que a que seria necessária para o realizar.
Vejamos:

Preparo meticulosamente o ambiente à minha volta, rodeio-me dos dossiers e dos livros necessários, sento-me, ligo o portátil e … leio todos os meus blogs favoritos! Aproveito e dou também uma olhadela àqueles que nem gosto por aí além. Depois, levanto-me para ir buscar bolachas; é que, entretanto, já passaram duas horas e o meu estômago começa a ressentir-se. Em vez de duas, como seis, para adiar o timming em que tenho de olhar para a tal papelada. Finalizadas as bolachas (sim, porque acabou por ir à vida o pacote inteiro) decido que tenho de responder àqueles mails urgentíssimos que há mais de dois meses esperam na caixa do correio. Lá vai mais uma hora e meia nisto, intercalada com idas à casa de banho, telefonemas atendidos e feitos, e o stress do objectivo não cumprido a fazer-se acumular.
Quatro horas depois já não consigo estar sentada da cadeira. Dói-me a cabeça, as costas e concentrar-me é impossível. É urgente libertar energias. Decido ir correr. Visto umas calças de fato de treino, calço umas sapatilhas e é ver-me arfar pela marginal fora, num
jogging desenfreado.
Chego a casa exausta, suada e esfomeada e pela ordem inversa satisfaço estas três necessidades: lancho demoradamente, tomo um longo banho, e deito-me no sofá onde acabo por adormecer.

Acordo, já lá fora é noite escura, dorida e mal-humorada, em pânico com a minha improdutividade. A posição em que adormeci foi a pior e o trabalho espera-me ainda intacto. Bolas! Preciso de jantar!
Ligo a televisão enquanto como, e distraio-me com os telejornais de todos os canais; são onze da noite quando me sento novamente em frente do computador e abraço finalmente o trabalho porque sei que a meta final – a recompensa – está próxima: ir para a cama, daí a nada (mas, entretanto, aproveito, ainda, para escrever esta crónica).

[Publicada também
aqui]

Eu hoje vou deitar-me assim...


Ana Moura - Os Búzios

À espreita está um grande amor mas guarda segredo
Vazio tens o teu coração na ponta do medo
Vê como os búzios caíram virados por norte
Pois eu vou mexer no destino, vou mudar-te a sorte
(...)

Sexta-feira, Maio 09, 2008

Porque é que eu não entendo os homens e as mulheres são umas chatas?!

Amigos homens

Os meus melhores amigos são homens. Neles – em dois ou três, note-se – confio os meus segredos mais íntimos. Aprecio no sexo oposto o companheirismo, a franqueza e a boa disposição. Acima de tudo, a ausência da “complicação feminina”. As mulheres são seres elaborados, complexos, sensíveis e consequentemente falsas, matreiras, invejosas. Estendem o ombro às amigas para logo em seguida, quando lhes convém, as crucificarem. Convidam-nas à confissão para, mais tarde, lha atirarem à cara. São ardilosas, rebuscadas, perigosas. Tramadas com o mesmo sexo! Guardam trunfos e nunca, mas mesmo nunca, os esquecem. Mulher que me esteja a ler e que já trabalhou com outras mulheres que me desminta, agorinha, se isto não for verdade. Os homens, não, são simples, pragmáticos, objectivos.
Mas dizia eu, adoro a “descomplicação” masculina. Pelo-me por um jantar a dois em que, depois do repasto, ficamos sentados a conversar, cuspindo, refasteladamente, o fumo de um bom charuto (o deles, porque o meu é sempre imaginário) falando de trabalho, da vida… de gajas. Este é um tema que aprecio particularmente com os meus interlocutores masculinos. Gosto de lhes ensinar os truques da mente – rebuscada – feminina. Digo-lhes o que devem fazer para conquistar esta ou aquela rapariga por quem manifestam interesse; passo horas com eles no hi5 a pesquisar sobre elas, a estudar-lhes os ângulos nas desfocadas fotos; comento-lhes o porte, o estilo, as habilitações literárias; dou-lhes dicas para um primeiro encontro. O problema surge precisamente aqui, quando a personagem em questão deixa de ser virtual e resolvem apresentar-ma. É que onde eles, geralmente, vêem beleza e elegância, eu vejo volume e banhas; onde eles vêem charme e classe, eu vejo vulgaridade e parolice; e onde eles vêem inteligência e simpatia, eu vejo que eles não estão a pensar com a cabeça certa.
E depois, quando já na ausência dela me pedem, ansiosamente, a opinião e lhes digo, “de homem para homem”, com toda a sinceridade – que é assim que deve ser entre machos – o que penso, olham-me de lado, sorriem maliciosamente e dizem-me com a maior das latas – os ingratos! – que estou com ciúmes. Ciúmes, eu?! Ora, bolas, vá lá a gente entender estes gajos (e eles entenderem-nos a nós)!

Sofia Bragança Buchholz

Crónica publicada na Revista Atlântico de Fevereiro de 2008

Quinta-feira, Maio 08, 2008

You are so beautiful

Quarta-feira, Maio 07, 2008

Há dias assim...


Nara Leão - Camisa Amarela

Sábado, Maio 03, 2008

Anita nos Dias de Hoje (2)

Ou ainda:

Sexta-feira, Maio 02, 2008

Anita nos Dias de Hoje


A alteração da capa do livro da Anita é da minha modesta autoria, obviamente.

Anita na Cama

Existe na convalescença da gripe um quê de conforto, de nostalgia do tempo da infância. Era nesta altura, passado o desconforto da febre e das mialgias, que finalmente conseguia dar atenção aos presentes que o meu pai me trazia, geralmente um livro da Anita, que ia engrossando, aos poucos, a minha vasta colecção, e que a minha avó me lia pacientemente à cabeceira da cama. Era também só agora, que conseguia ingerir a primeira refeição, esmeradamente preparada pela minha Jeju – a nossa querida empregada – e que consistia invariavelmente num bife suculento, partido em minúsculos pedaços, quase raspas de carne, que se misturavam com um saboroso molho de manteiga e eram envolvidos em pedacinhos de pão. Aquilo sabia-me deliciosamente e ainda hoje recordo esse pitéu, que a fome pós pirética exacerbava, e quase sou capaz de apostar que já não se criam vacas tão tenras e saborosas como as daquela altura.
Há uns dias, liguei a um amigo que me atendeu com uma voz febril, trémula e “entossicada”, desanimado com o seu estado gripal. Eu, lembrando-me desse lado positivo da doença, animei-o:
– Deixa lá, passa depressa. Ficas na cama… não tens ninguém que te vá ler a Anita à cama? – perguntei, na brincadeira, fazendo referência à minha infância, mas sem a explicar.
Ele, por entre dois cof, cof, retorquiu maliciosamente:
– Depende da Anita. Mas como estou, minha querida… – fez uma pausa para um suspiro resignado – acho que não a consigo ler nem em Braille!

Terça-feira, Abril 29, 2008

Simão e os Tempos Modernos

Personagens:
• Eu (como narrador)
• Simão, 7 anos (em intervalo, no estudo para o teste de amanhã)

Cenário:
Num caderno de trabalhos de casa o Simão tem anotadas as revisões da matéria para o teste de Estudo do Meio, do dia seguinte. A temática é os animais, a sua classificação, deslocação, alimentação e reprodução.
Folheio-o, e, numa das páginas, posso ver escritos com uma caligrafia mal desenhada os seguintes exemplos:

Acção:
Homem: são mamíferos, nascem no ventre da mãe, têm o corpo coberto por pêlos, deslocam-se andando e comem carne e plantas.
Galinha: são aves, nascem de ovos, têm o corpo coberto de penas, deslocam-se andando e comem grãos.
Cão: são mamíferos, nascem no ventre da mãe, têm o corpo coberto por pêlos, deslocam-se andando e comem ração Royal Canin Júnior.

Desabafos: um nojo de mundo

Chego a casa e, num movimento automático – uma busca, talvez, instintiva de companhia – ligo a televisão.
Desde o pai que manteve a filha em cativeiro numa cave durante 24 anos, passando pelo atentado em Gaza que vitimou uma mulher e quatro crianças, da rede de trabalho escravo para Espanha, da falta de segurança nas esquadras (e não só), até ao novo e violentíssimo jogo de computador que retrata o submundo do crime… as notícias seguem-se, umas atrás das outras, num desfilar assustador e enojante de desgraças.

[também postado aqui]

Domingo, Abril 27, 2008

Percebes, agora, porque é que eu não me importo de ter asas?

Na foto: ? (VS show) / © Foto: ?

Sábado, Abril 26, 2008

Sufoco

Sinto no peito um aperto, uma vontade incomensurável de o transcrever em palavras, como se, se não o fizesse, implicasse explodir de angústia.
Sinto na alma uma tristeza infinita que me cega a razão, me bloqueia a lucidez, me tolhe a capacidade de organizar o pensamento. Me impede de ordenar as ideias, estruturar os raciocínios, criar frases.
Sinto no corpo uma imensa saudade tua, que me dói como gumes dilacerando-me a carne tenra, como punhais expondo o meu amor em ferida aberta.
Porque [Meu Amor], trago, para sempre, cravado na minha pele em brasa, o gélido ferro da tua indiferença.

Sexta-feira, Abril 25, 2008

Porque eu acredito em Fadas

© Foto: Ed Fielding Photography/ Bryan Ferry Live @ Preston Guildhall

O meu velhinho de estimação (leia-se, Bryan Ferry) vem novamente a Portugal, para um concerto no Casino de Espinho dia 17 de Maio. Os bilhetes, com jantar incluído, custam 150 euros.
Vi-o no ano passado, em Julho, num concerto belíssimo no Vila Sol SPA & Golf Resort, no Algarve, por 30 euros. Um roubo portanto esta quantia cobrada pelo Solverde.
Será pouco provável (mas não se esqueçam que eu acredito em Fadas), e como um blog serve também para isto, se alguém, por alguma razão, tiver bilhetes de borla e os quiser vender por um preço mais razoável (dispenso o jantar), podem escrever-me para o endereço de mail aí ao lado, na barra lateral. Eu agradeço.

My Only Love


Roxy Music - My Only Love

Do I ever wonder?
More than words can say
Heaven knows it´s hard enough to pray
Let me tell you something
There´s a change in me
Even now you´re gone you´ll always be
My only love

Does it seem so funny
For a fool to cry?
Do you know the meaning of goodbye?
There´s a river flowing
By a willow tree
When you need to know remember me
My only love

Let me tell you something
More than words can say
But they´re all I have, no other way
There´s a river flowing
By a willow tree
When you find you´re there remember me
My only love

My Only Love, letra de Bryan Ferry

Terça-feira, Abril 22, 2008

A Apanhada

Na foto: Adriana Lima; © Foto: ?

Há três mil, duzentos e sessenta e seis dias que, de olhos vendados, conto, enquanto te escondes.
Percorres, calmamente, a minha vida, sem pressas, abrigas-te descontraidamente no meu armário – nesse onde guardo os esqueletos –, debaixo do meu tecto, sob os meus lençóis. Finjo-me de olhos tapados, enquanto enumero mentalmente o tempo gasto nesta brincadeira: um, dois… oito anos perdidos, de olhos fechados, duzentas, trezentas, quinhentas mil vezes de indiferença ao meu esforço, ao meu empenhamento neste árduo faz de conta. Continuo, já errante no cálculo, de cabeça contra as paredes, a deixar-te ocupar o meu quarto, a minha sala, o meu coração sem poder apanhar-te, eu a apanhada , porque no momento em que o fizer, ambos sabemos, Meu Amor, que inevitavelmente o jogo acabará.

Domingo, Abril 20, 2008

Na Redoma

© Imagem: Vladstudio (click na imagem para ampliar)

Lunata tem estado silenciosa. Fechada no seu mundo da Lua. Já não vê razões para de lá sair; para rever Demiurgo, procurar Paquito, estar com Pato Preto.
Chove na Terra e Lunata abriga-se, indiferente, na sua cratera. Faz vento, e ela nem sabe, porque na Lua não venteja. Revolta-se o mar, e ela nem imagina. Protegida no seu manto branco, ela não corre riscos. Não sofre. Não sente.
Pena é que, quando desabrocharem as flores, ela não vá presenciar tamanha beleza!

Sábado, Abril 19, 2008

Darling, My [poor liar] Darling!...



– Promise me you'll come back for me [My Darling Love!].
– I promise, I 'll come back for you. I promise, I'll never leave you.

Quarta-feira, Abril 16, 2008

New blog on the block

O Ciberescritas, um blogue do PÚBLICO, escrito pela Isabel Coutinho.

Blogosfera, um problema para as empresas ou um novo universo para as relações públicas?

Imprescindível ver:


Terceira edição das Conversas Unicer

O objectivo das Conversas Unicer é debater a Comunicação Institucional e a Gestão Empresarial.
Os temas discutidos prendem-se com os múltiplos patamares do processo de comunicação das organizações e com as suas etapas estratégicas.
Saiba mais sobre o assunto aqui

Post Politicamente Incorrecto

Foto retirada deste blog

Acordei a redigir uma reclamação num livro de reclamações. Maçada, sem paciência, aborrecida com o formalismo que o acto implica e indignada com a causa que me motivara a fazê-lo.
Sonhava com a piscina da Granja. Com a minha piscina da Granja onde, na infância, passei verões inteiros a dar mergulhos e a engolir pirolitos. Esse lugar elitista onde outrora só entrava quem tinha pedigree e poder de compra e que era a garantia de um dia bem passado no prazer da boa convivência, de níveis de cloro aceitáveis e espreguiçadeiras suficientes à disposição.
Depois de lhe terem retirado as pranchas, de a terem proletarizado através de um sistema de preços que a tornou acessível a qualquer um, de lhe terem retirado o “poço” de largos metros que tanto me fascinou, de terem abolido o trampolim, esse ultimo símbolo (capitalista?) sobrevivente à revolução de Abril, mas agora aniquilado definitivamente pela globalização e as suas normas, tinham-na, no meu sonho, transformado em dois tanques tão baixos e de comprimento tão ínfimo que era impossível dar duas braçadas, mas que, em compensação, eram seguríssimos. Mais: todo o restante edifício fora transformado em moderníssimas salas de aulas onde eram ministrados por sumidades internacionais seminários teóricos sobre natação.
Já não é a primeira vez que sonho com a piscina da Granja. Com a minha piscina da Granja. Da última, tinham-na transformado num jardim zoológico. Deve-me ter ficado na memória aquele dia, há uns anos, em que lá fui e vim corrida pela macacada em que aquilo se transformou. Mas desta vez não podia deixar passar; era urgente agir. Era imprescindível redigir um protesto! Nem que fosse à entidade responsável pelo meu subconsciente.

Segunda-feira, Abril 14, 2008

Coisas que combinam comigo


Bagagem Louis Vuitton desenhada para o filme "The Darjeeling Limited"

Domingo, Abril 13, 2008

Simão e as Verdades [quase] Absolutas

Personagens:
• Eu
• Simão, 7 anos
• O cão Spike, 3 meses

Cenário:
Procuro o Simão pela casa toda. Chamo, espreito, vasculho cada divisão, debalde grito o seu nome.
A intuição guia-me até ao jardim. De dentro da casota do cachorro, ouço sons de consolo, palavras meigas, ditos elogiosos. Espreito e vejo o pequeno labrador deitado e o Simão ao seu lado, entre ossos roídos e brinquedos lambuzados de baba canina, acariciando-lhe ternamente o pêlo azeviche aveludado, gabando-lhe as qualidades de carácter, de comportamento e de beleza.
Indignada, repreendo:

Acção:
– Sai já daí! Que porcaria, vais ficar todo sujo e a cheirar a cão! O que estás aí a fazer?!
Ele responde-me enobrecido, com a grandeza de quem fala as verdades absolutas:
– Estou em casa do meu melhor amigo!

Sábado, Abril 12, 2008

N Criativo: um blog sobre as Indústrias Criativas

Imagem retirada daqui

As Indústrias Criativas têm a criatividade como condição nuclear para o negócio. São actividades com origem na inovação, nas competências e no talento individual e que têm potencial para a criação de trabalho e riqueza através da valorização da propriedade intelectual. As Indústrias Criativas abrangem sectores que vão desde a arquitectura às tecnologias da informação, design, vídeo, fotografia, moda, artesanato, música, artes cénicas, edição, televisão, cinema e produção de conteúdos, entre outros.

A Fundação de Serralves, em parceria com a Junta Metropolitana do Porto, a Casa da Música e a Porto Vivo, Sociedade de Reabilitação Urbana da Baixa Portuense, estão a promover a realização de um estudo macroeconómico denominado “Desenvolvimento de um cluster de Indústrias Criativas na Região do Norte”.
O objectivo deste estudo é a avaliação do impacto destas actividades na região, conhecer a sua evolução e o papel que desempenham e poderão vir a desempenhar na economia e na sociedade.
O estudo está a ser desenvolvido por um consórcio constituído pelas empresas Tom Fleming Creative Consultancy, Horwath Parsus, Opium e Gestluz Consultores.

O N Criativo é o blog deste estudo em que eu própria estou também envolvida. Visitem-no, dêem opiniões, complementem-no enviando informações sobre o tema, partilhem connosco o vosso conhecimento, divulguem-no. Nós agradecemos.

Sexta-feira, Abril 11, 2008

Percebes, agora, porque é que eu não me importo de ter asas?

Na foto: Angela Lindvall (VS show) / © Foto: ?

Quinta-feira, Abril 10, 2008

Coisas giras para se fazer em Abril

Amanhã, dia 11 de Abril, pelas 19h00, terá lugar no Auditório do Instituto de Estudos Superiores Financeiros e Fiscais (IESF), um Seminário sob a alçada do Mestre José Augusto Nunes Carneiro, com o tema "Marketing do Livro".

Informações:
IESF - Instituto de Estudos Superiores Financeiros e Fiscais
e-mail: info@iesf.pt
Telefone: 227 538 810 / 88
Fax: 227 538 855

Coisas que combinam comigo

Botões-de-punho nas camisas

Quarta-feira, Abril 09, 2008

A Tia e o Síndrome do Ninho Vazio

Personagens:
• Eu
• A empregada, Aurora
• O cão Spike, 3 meses

Cenário:
Entro em casa da minha irmã desejosa de afogar as mágoas de um dia de trabalho no conforto das brincadeiras dos meus sobrinhos, mas dou com a casa silenciosa. Estranhando, pergunto à empregada:

Acção:
– Aurora, onde estão os rapazes?
Ela elucida:
– O Tomás foi a casa da Catarina; o Simão está em casa do António.
Eu suspiro resignada de os ver crescer, de os ver criar asas.
Perdido, o meu olhar divaga e encontra o do pequeno labrador que, deitado com o focinho entre as patas, descansa, silenciosamente, no tapete da sala. Um rasgo de felicidade ilumina a minha alma e, animada, exclamo:
– Ah, ainda me restas tu, Spike!

Terça-feira, Abril 08, 2008

Coisas que combinam comigo

Broad collar of Princess Neferuptah, daughter of Amenemhet III
© The Egyptian Museum, Cairo

Segunda-feira, Abril 07, 2008

Senhor António e a festa de aniversário

Personagens:
• Um grupo de amigos reunidos num jantar de anos em casa de um deles

Personagens Fictícios:
• Senhor António, o empregado da restauração (aka Simão, 7 anos)

Cenário:
Toda a noite de ontem o senhor António serviu.
Os convidados gabaram-lhe o profissionalismo, a postura, a dedicação.

De mão atrás das costas e guardanapo no braço, assegurou-se de que todos estavam confortáveis, providenciou o vinho e as sobremesas, foi generoso nas doses do prato principal. Oportunamente perguntou se queriam mais alguma coisa e humildemente aceitou os elogios de cabeça baixa, embaraçado. Educadamente tratou-os por “senhores doutores” e acompanhou-os à porta, servil, para garantir que o seu trabalho seria reconhecido e que os clientes sairiam satisfeitos.
Mal esta se fechou o senhor António transformou-se, e, arrogante, reclamou:

Acção:
– Onde estão os cinco euros que me prometeste? Vá, passa-os para cá!

Domingo, Abril 06, 2008

Coisas que combinam comigo

Eu hoje vou deitar-me assim…


John Travolta e Uma Thurman no filme Pulp Fiction

Indecentemente a desafiar-te. E tu, Meu Amor, a fazeres o que eu digo!

Sábado, Abril 05, 2008

Paredes de Papel

Não conheço os meus vizinhos. Moro nesta casa há onze anos e não conheço nenhum. Nunca fiz questão de os conhecer. Diplomaticam